quarta-feira, 24 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
noturno outra vez
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quanto tempo perdido
penso
e penso no que é pensar nisso
tão tarde da noite
da vida
amores irreconhecíveis
irreconhecidos
coisas assim acontecem
dizem
o tempo é sóbrio em acertos
somos traços, não flechas
então seguimos
.
[ R.M. ]
sábado, 9 de maio de 2009
A Descoberta do Fogo seguido de A Expulsão do Paraíso
É preciso viver muito, deixar-se trabalhar todo, tudo ensaio. Até chegar o dia - e esse dia também passa -, até chegar o dia em que se chega àquela condição mais humana que se almeja tão pouco ter: aquela condição em que o espanto é o entendimento, e o entendimento é espanto.
[ R.M. ]
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| Mira Schendel; sem título, 1966; Ecoline e bastão de cera sobre papel. |
+
Mira Shendel:
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domingo, 3 de maio de 2009
manifesto
do
poema
sabe-se o sabor
quando
[no]
poema
ser
ao som se
soma
poema
sabe-se o sabor
quando
[no]
poema
ser
ao som se
soma

[ R. M. ]
imagens: série "concreto"; fotografia digital, 2007
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Samson Flexor, um poema
Samson Flexor; "Bípede com Elementos Geométricos";
aquarela, 1970
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para guardar as recordações dos devaneios fugazes
recordações
que não se dizem
que não se ouvem
que não se tocam
mas
que são presenças visíveis
nas aguadas coloridas
nas cores aguadas nas opacidades
e nas transparências
no papel enobrecido
e promovido à luz
assim nasceu o universo silencioso de minhas aquarelas
hoje
não é mais um meio
mas uma
finalidade em si
não são mais recordações
mas sim uma realidade
um ser
o milagre de andar na superfície das águas sem afundar
Samson Flexor
[1907-1971]
texto extraído da exposição "Samson Flexor - aquarelas e desenhos"
Instituto Moreira Salles - Gávea - Rio/RJ
Sobre o artista:
quinta-feira, 30 de abril de 2009
horas são
quarta-feira, 29 de abril de 2009
iluminuras
"veermer"; fotografia da série "a vila"; R.M., Londrina, 1997
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quero um dia
inteiro assim
atravessado de luz
à existência simples
de pequenas coisas
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[R.M.]
Anamnemosine
Procurava lembrar. Como o que sobrevinha não lhe satisfazia, terminava sempre por regredir ao atual incômodo, ao horizontal desconforto. Buscava, na verdade, uma forma qualquer de utilidade. Não que o ambicionasse mas, gostaria, sim, de entender o quê. Algo havia lhe tornado, era evidente. Disso, com certeza, teria certeza se pudesse lembrar. Lembrava, isso sim, do muito que já lhe haviam dito, mas todas aquelas palavras agora já não eram mais aquelas, eram essas, e haviam se tornado tão estáveis quanto animais empalhados acomodados em prateleiras. Isso, essa sensação, era do tipo que possuía justamente o efeito de fazê-lo desacreditar inutilmente de tudo, em toda essa fiada de fatos críveis, tecidos por palavras mornas embaladas em melodias de ninar. Ora, não era mais criança. Não era mais, não era. Uma utilidade para tudo isso, pensava que pudesse. Gostaria, sim, de entender; mas permanecia, entretanto. Poderia seguir. Imaginar um talvez.
[R.M.]
Infância
Tudo o que se podia possuir era a linha do horizonte. Com os olhos, tudo era possível – enquanto pés, mãos, músculos permaneciam em si mesmos. Só, o olhar solidarizava-se com o espaço em volta, largo, vazio, ele mesmo em si nada e por isso mesmo recebendo o olhar como uma oração. Os dias estendiam-se então. Secos, os dias.
[R.M.]
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"Infância"; R.M.; xilogravura, 1997
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