quarta-feira, 1 de julho de 2009

de aniversário

foto da série "orquídeas"; R.M., 2007

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Penso em você com ternura
Penso em você com afeto
Às vezes bem que te esqueço – é fato...
Ninguém é assim tão perfeito – ou chato!

Porém se de ti me esqueço
É só pra lembrar em seguida
Pois tua lembrança, reconheço,
Me faz bem à vida...

Da vida se vem, e nela se vai
A tudo contém, em tudo se esvai
Mas se entre chegada e partida
Da vida almejamos boa guarida

Guardemos não só na lembrança,
Amiga: se cada um é de si e se tem
Vida com vida se trança...
E cuidar de ti me faz bem!



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R.M.
para Norma O.
jun/jul, 2009

domingo, 28 de junho de 2009

Varvara Stepanova



O CCBB - Centro Cultural do Banco do Brasil aqui do Rio inaugurou recentemente a exposição Virada Russa, apresentando 123 obras que recriam o clima artístico da Rússia pré-revolucionária, os primeiros anos da utopia soviética e o “retorno à ordem” stalinista.
Aproveito a oportunidade para publicar aqui um poema que escrevi em 2007 para Varvara Stepanova [1894-1958], artista plástica, cenógrafa, figurinista e designer que viveu intensamente o período. Stepanova redigiu, com seu companheiro Aleksandr Rodtchenko, o Programa do primeiro grupo de trabalho dos construtivistas  e, juntamente com os demais artistas ligados ao grupo, encarnou os ideais da vanguarda artística revolucionária que compreendia sua atividade criadora como uma intervenção concreta na sociedade, e o “objeto artístico” um modelo a ser compreendido e não “obra de arte” a ser contemplada.


+


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Stepanova fotografada no ateliê por A. Rodtchenko + com Rodtchenko em foto de 1920 + reunião do grupo construtivista + cenário e figurinos para o espetáculo teatral "The Death of Tarelkin", de V. E. Meyerhold; 1922 + trabalhando em uma estampa para tecido, em foto de Rodtchenko, 1924.



elegia construtiva para varvara stepanova

cabeça
compasso
mão

pensamento
ferramenta
ação

desenhodesígnio

mundo
homem
construção

tudo ligado
ao todo

arte
arte
arte
em toda parte
até deixar de ser
[p]arte


[ R.M. ]

quinta-feira, 25 de junho de 2009

vão

Anne Arden McDonald; s/título; fotografia
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a mim
me basta um porto
inseguro
um ponto no escuro
um vão
em teus braços





[R.M. ]

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Agradeço à poetamiga Betina Moraes a captura afetiva e a publicação, que muito me honra, no seu Redoma http://redoma.weebly.com/redoma-masculina.html

+ Betina Moraes
http://betinamoraes.blogspot.com/

que nada

Jean Cocteau; "Astrologie"

me descubro
dois

:

o que nada

sabe

o que mergulha

nada
sabe

.

no fundo
somos
nós

apenas

soma
e
sós



[ R.M. ]

quarta-feira, 24 de junho de 2009

por um fio

grafite s/ papel; s/d [R.M.]

domingo, 14 de junho de 2009

noturno outra vez

R.M.; matisse n.o 2; fotografia digital; 2007

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quanto tempo perdido

penso

e penso no que é pensar nisso
tão tarde da noite
da vida

amores irreconhecíveis
irreconhecidos

coisas assim acontecem

dizem

o tempo é sóbrio em acertos
somos traços, não flechas

então seguimos

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[ R.M. ]


sábado, 9 de maio de 2009

A Descoberta do Fogo seguido de A Expulsão do Paraíso

É preciso viver muito, deixar-se trabalhar todo, tudo ensaio. Até chegar o dia - e esse dia também passa -, até chegar o dia em que se chega àquela condição mais humana que se almeja tão pouco ter: aquela condição em que o espanto é o entendimento, e o entendimento é espanto.
[ R.M. ]




Mira Schendel; sem título, 1966; Ecoline e bastão de cera sobre papel.

+

Mira Shendel:
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domingo, 3 de maio de 2009

manifesto


do
poema
sabe-se o sabor
quando
[no]
poema
ser
ao som se
soma





[ R. M. ]

imagens: série "concreto"; fotografia digital, 2007


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Samson Flexor, um poema

Samson Flexor; "Bípede com Elementos Geométricos";
aquarela, 1970
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para guardar as recordações dos devaneios fugazes
recordações
que não se dizem
que não se ouvem
que não se tocam
mas
que são presenças visíveis
nas aguadas coloridas
nas cores aguadas nas opacidades
e nas transparências
no papel enobrecido
e promovido à luz
assim nasceu o universo silencioso de minhas aquarelas
hoje
não é mais um meio
mas uma
finalidade em si
não são mais recordações
mas sim uma realidade
um ser
o milagre de andar na superfície das águas sem afundar


Samson Flexor
[1907-1971]

texto extraído da exposição "Samson Flexor - aquarelas e desenhos"
Instituto Moreira Salles - Gávea - Rio/RJ
Sobre o artista:

quinta-feira, 30 de abril de 2009

horas são


a cada dia
do pão a alegria
seja semente

da alma seja
sacerdote e guia
de toda gente


[ R.M. ]
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"estela"; R.M., xilogravura; s/d
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