segunda-feira, 15 de agosto de 2011

breve estória de amor menor


início
meio a fim
fim




[ R.M. ]

+
imagem

Leonilson; "Voilà mon Coeur" [verso]; c.1989; bordado e cristais s/ feltro; 22 X 30 cm

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ah!

se assim é
que assim seja
amor é
doce peleja


[R.M.]



+
imagem
Raul Motta; "Leque"; fotografia digital; Bocaina de Minas, 2009




sábado, 6 de agosto de 2011

leve me

amor
é meio
aula e recreio





[R.M]
para Chris V.
+
imagem
René Magritte; La Bataille de l'Argonne, 1959



outrossim




o outro é
em si mesmo
sim e não
o mesmo outro que eu
não ouve não sente não vê não fala
nada que a mim mesmo não me toque ou escape
o outro não é
refaz-se em mim
desfaz-se em nós
não sendo enfim o mesmo jamais
será sempre um outro
sim
mesmo enquanto eu puder vê-lo
como me vejo a mim
mesmo



[R.M.]
+
imagem
Michelangelo Pistoletto: Divisione e Moltiplicazione dello specchio, 1978

domingo, 26 de junho de 2011

com tato



braile

pura poesia

concreta


balé

de

sutil

contato


forma

constelação


dança

contato

que perfura

o véu de maya

da visão


.


[R.M.]

dedicado aos amigos Acauã, Luciano e Alexandra

à beira-mar


Quantas vezes já havia passado pelo monumento a Estácio de Sá, próximo à enseada de Botafogo, sem me tocar de que em seu subsolo existe um espaço cultural...

Pois ontem, quando fazia uma caminhada pela orla, me chamou a atenção um casal que parecia emergir magicamente do chão... Só então pude ver a rampa e a escada que conduzem ao Centro de Visitantes do Monumento Estácio de Sá. Vencidos os degraus de pedra, me surpreendi com a existência de um espaço pequeno, porém aconchegante, que no momento abriga uma exposição coletiva que põe em diálogo trabalhos de fotógrafos e poetas.

Uma pena não ter podido ficar para a performance que seria apresentada pouco depois, ao ar livre, na parte superior do monumento; mas já estou me programando pra retornar num próximo final de semana.

Compartilho aqui com os leitores do há palavra um dos poemas, de autoria do Cairo Trindade, que na exposição dialoga com fotografia de Carolina Pinheiro:


nada mais dura

tudo é pressa pura

tudo se acaba

e se perde:

as pedras, os prédios, impérios

tudo que perdura

são as nuvens

o arco-íris e os vagalumes

das noites de primavera

o mais é literatura




.



O Monumento a Estacio de Sá, incluindo o Centro de Visitantes, é um projeto de autoria do arquiteto Lucio Costa e data de 1973. Desde novembro de 2010, o Centro de Visitantes do Monumento Estácio de Sá é administrado por meio de uma parceria entre a Prefeitura carioca, via RIOTUR, e a Universidade Estácio de Sá.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

maisvaliapoesia



maisvaliapoesia

:

poema ready-made
16,0 cm x 23,0 cm x o,7 cm
+
objeto ativo para leitura-performance

dois livros formato 16,0 cm x 23,0 cm; 108 / 110 págs.


.


[ R.M. ]
2011

sábado, 18 de junho de 2011

confluência[s]: Clarice Villac




manhãzinha branca

densa neblina na serra -

as matas respiram...



.



hai cai
Clarice Villac
http://claricevillac.blogspot.com/
+
foto
R.M.
[da série "da varanda"; Teresópolis, 2008]


.

confluência[s]: produções distintas e antes distantes no tempo e no espaço, postas face a face no espaço-tempo.

"Eu não acredito em influências, acredito em confluências."
Mário Quintana [1906-1994]


.

domingo, 29 de maio de 2011




livro se lê
serelepe
livro se lê
de-va-gar
livro se lê
obrigado
livro se lê
fissurado
livro se lê
entrelinhas
livro se lê
em quadrinhos
livro se lê
só por ler
livro se lê
tudo a ver
livro se lê
de ficante
livro se lê
em romance
livro se lê
tô à toa
livro se lê
pra aprender
livro se lê
de orelha
livro se lê
cabo a rabo
livro se lê
na escola
livro se lê
onde rola
livro se lê
em libras
livro se lê
em braile
livro se lê
de papel
livro se lê
no iPad
livro se lê
poesia
livro se lê
todo prosa
livro se lê
tô sozinho
livro se lê
na pracinha
livro se lê
pra ninar
livro se lê
pra pensar
livro se lê
antes tarde
livro se lê
do que nunca
livro se lê
adoidado
livro se lê
que me acabo!



.



[R.M.]
+
Alexander Calder [1898 - 1976]; Balloons, lithograph, 111.8 cm x 91.4 cm; c. 1960

sábado, 21 de maio de 2011

palavrimagem








O que se chama atualmente de "graffiti" há muito já perdeu a sua força política originária e atualmente oscila entre um inofensivo decorativismo [no pior dos casos] e, no melhor dos casos, atinge o estatuto de uma pintura mural - contemporânea e urbana.

Mas o cara ou a guria que está espalhando essa frases de alta condensação e impacto político-poético pelo centro do Rio, segundo meu ponto de vista, está trazendo de volta para o graffiti o espírito punk e libertário, socialmente explosivo, que lhe deu origem.

E tudo isso apenas [?] com a força da ressonância da palavra.

Se alguém souber o nome do[a] artista, me avise!