sábado, 24 de setembro de 2011

Diálogos constelares


Na trama que se tece neste universo virtual fazemos todos do ofício da palavra exercício de disponibilidade e troca. Aqui, somos simultaneamente sós e sóis, e cada encontro de verdade é potencialmente gerador de novos diálogos, afetos, sentidos. Pois neste mundo sem esquinas os encontros são possíveis, sim. E de encontro em encontro, criam-se as redes, que geram novos encontros, que renovam e ampliam as redes...

E é do resultado de mais um desses encontros que trato nesta postagem: “Tahrir”, poema originalmente publicado aqui e que agora se encontra entre muitas e boas companhias no blog Poetas Vivos.

Ficam aqui meus agradecimentos a todo o coletivo que faz o Poetas Vivos e, especialmente, ao artista plástico e poetamigo virtual, de quem sou seguidor e grande admirador: grato, Marcantonio!



Tahrir


a praça é o ponto
o centro
de tudo

a praça é o tempo
que corre
o alento

a praça é o eixo
incerto
do novo

a praça é o fluxo
que corre
à margem

a praça é o ventre
o abrigo
alimento

a praça é o vômito
do mundo
profundo

a praça é o sonho
a soma
que somos

a praça é o vértice
a ponta
da lança

a praça é o vórtice
a festa
a dança

a praça é o fogo
o furor
que consome

a praça é o todo
é toda
do povo


.


"Tahrir" no blog Poetas Vivos:

http://sociopoetasvivos.blogspot.com/2011/09/um-poemas-de-raul-motta.html

Poetas Vivos:

http://sociopoetasvivos.blogspot.com/


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Marcantonio

http://azultemporario.blogspot.com/

http://diarioextrovertido.blogspot.com/

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imagem
Tomas Saraceno; "Galaxies forming along filaments, like droplets along the strands of a spider's web"; Venice Biennale, 2009

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ata-me




tudo que termina
em nós
segue conosco




[R.M.]
+
imagem
Man Ray [1890-1976]; "Presente", 1958

domingo, 4 de setembro de 2011

[ainda o amor]





profundo

leve
me

pro
fundo




[R.M.]
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imagem
Lucio Fontana [1899-1968]; Concetto Spaziale, 1960.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

oswaldiando




etérea
matéria




ascese
acesa




sonho
assombro




vida
com vida



.


Talvez sejam quatro, ou possam ser lidos como um único poema, o caso é que os oito versos acima foram livremente inspirados no célebre "amor / humor", de Oswald de Andrade [1890-1954]. Talvez o mais conciso poema escrito em todas as línguas, sempre me atraiu por isto: menor que um haicai e transportando todo um universo numa síntese genial. Do original, mantive o tema, "amor", e o nexo sonoro que dialoga criticamente com o nexo de sentido. Fica aqui a humilde homenagem que, espero, seja digna do mestre antropófago.


[R.M.]
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imagem
Foto capa revista Concinitas n.o 6 [Instituto de Artes da UERJ]

sábado, 20 de agosto de 2011

era uma vez


amanhã o monstro
tempo presente
engolirá tudo
feliz
para sempre

[RM]
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imagem
Richard Serra; One Ton Prop [House of Cards], 1969

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

breve estória de amor menor


início
meio a fim
fim




[ R.M. ]

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imagem

Leonilson; "Voilà mon Coeur" [verso]; c.1989; bordado e cristais s/ feltro; 22 X 30 cm

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ah!

se assim é
que assim seja
amor é
doce peleja


[R.M.]



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imagem
Raul Motta; "Leque"; fotografia digital; Bocaina de Minas, 2009




sábado, 6 de agosto de 2011

leve me

amor
é meio
aula e recreio





[R.M]
para Chris V.
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imagem
René Magritte; La Bataille de l'Argonne, 1959



outrossim




o outro é
em si mesmo
sim e não
o mesmo outro que eu
não ouve não sente não vê não fala
nada que a mim mesmo não me toque ou escape
o outro não é
refaz-se em mim
desfaz-se em nós
não sendo enfim o mesmo jamais
será sempre um outro
sim
mesmo enquanto eu puder vê-lo
como me vejo a mim
mesmo



[R.M.]
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imagem
Michelangelo Pistoletto: Divisione e Moltiplicazione dello specchio, 1978