domingo, 25 de setembro de 2011
lavra bruta
o poeta
faz e refaz o poema
mergulha em si e fora
de si
abraça o agora
esquece o tema
busca
certa palavra a palavra certa
inspira expira
aspira
ao som do sentido
ao mais íntimo
profundo
etéreo ritmo
até que o poema
em fim
se faz
enfim
o poema se desfaz
do poeta
[R.M.]
sábado, 24 de setembro de 2011
Diálogos constelares

Na trama que se tece neste universo virtual fazemos todos do ofício da palavra exercício de disponibilidade e troca. Aqui, somos simultaneamente sós e sóis, e cada encontro de verdade é potencialmente gerador de novos diálogos, afetos, sentidos. Pois neste mundo sem esquinas os encontros são possíveis, sim. E de encontro em encontro, criam-se as redes, que geram novos encontros, que renovam e ampliam as redes...
E é do resultado de mais um desses encontros que trato nesta postagem: “Tahrir”, poema originalmente publicado aqui e que agora se encontra entre muitas e boas companhias no blog Poetas Vivos.
Ficam aqui meus agradecimentos a todo o coletivo que faz o Poetas Vivos e, especialmente, ao artista plástico e poetamigo virtual, de quem sou seguidor e grande admirador: grato, Marcantonio!
Tahrir
a praça é o ponto
o centro
de tudo
a praça é o tempo
que corre
o alento
a praça é o eixo
incerto
do novo
a praça é o fluxo
que corre
à margem
a praça é o ventre
o abrigo
alimento
a praça é o vômito
do mundo
profundo
a praça é o sonho
a soma
que somos
a praça é o vértice
a ponta
da lança
a praça é o vórtice
a festa
a dança
a praça é o fogo
o furor
que consome
a praça é o todo
é toda
do povo
.
http://sociopoetasvivos.blogspot.com/2011/09/um-poemas-de-raul-motta.html
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Marcantonio
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imagem
Tomas Saraceno; "Galaxies forming along filaments, like droplets along the strands of a spider's web"; Venice Biennale, 2009
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
oswaldiando
etérea
matéria
acesa
assombro
com vida
Talvez sejam quatro, ou possam ser lidos como um único poema, o caso é que os oito versos acima foram livremente inspirados no célebre "amor / humor", de Oswald de Andrade [1890-1954]. Talvez o mais conciso poema escrito em todas as línguas, sempre me atraiu por isto: menor que um haicai e transportando todo um universo numa síntese genial. Do original, mantive o tema, "amor", e o nexo sonoro que dialoga criticamente com o nexo de sentido. Fica aqui a humilde homenagem que, espero, seja digna do mestre antropófago.
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imagem
Foto capa revista Concinitas n.o 6 [Instituto de Artes da UERJ]



