quinta-feira, 8 de março de 2012

sinais





sonhos secretos
estampam
out doors

sagrados corações
pendem em ganchos nas vitrines
envidraçadas dos açougues

almas vagam
encarnadas em bandos
expostas em cobertores

medos viscerais
são estatísticas em pesquisas
de opinião

o mais íntimo
o mais ínfimo dos sentimentos
não cabe entre nós





[R.M.]

+

imagem
Oswaldo Goeldi; Sem Título ["Abandono"]; xilogravura; 17,3 x 21,8 cm


quarta-feira, 7 de março de 2012

a dia





dia
a
dia
a vida
flui
e
vai
só não vê
não vive
quem
o dia
adia






[R.M.]

+

imagem
caligrafia de San-u Ayoama

sábado, 3 de março de 2012

ver[con]tigo

ver
ver a si
ver de fora
pra dentro de dentro
pra fora
é ver apenas
mas
ver-se outro
por outro
por dentro
é olhar e ver-se mais a si
não mais a si mesmo
e
subitamente
ver
ti
gi
no
sa
men
te
tanto é o que se vê
que
ver-se assim
presenteagora
diferente de si
o olho
olha e não vê:

sente






[R.M.]


crianças

a verdade
à vera




[r.m.]

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

descarte

penso
sinto
sucinto





[r.m.]

er[r]os

cale
se preciso

se preciso
fale

cale-se
preciso
ou
fale

não falhe

sê preciso





[R.M.]

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

medula

soma
e sonhos

mãos brandas
não suportam a alma em fogo

ainda assim o lastro -
decantado -
resiste

e
a lava
lenta
transpira dos ossos






[R.M.]

domingo, 26 de fevereiro de 2012

poememprocesso

inspira
transpira

inspira

transpira
transpira

inspira

transpira
transpira

transpira

transpira
transpira
transpira

não para
não pira

expira

espera

e inspira...







[R.M.]

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

errata

a palavra certa
é torta
por linhas retas





[r.m.]


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

do:eu

a poesia não me salva
de mim
mesmo que o melhor de mim
o que verseja
aqui esteja
mesmo que mais que eu mesmo
seja o texto
nem assim
nenhuma estrofe
nenhum verso
nem
uma
palavra
me tira do contexto







[R.M.]

sábado, 18 de fevereiro de 2012

baren





se a alma almeja o vôo
dê corpo ao sonho
de corpo
e
calma




[r.m.]


+


imagem
Mira Schendel; Sem título; monotipia s/ papel japonês

sábado, 11 de fevereiro de 2012

duo




meu amor não pode amar por mim
não somos um
nem únicos
somos duas entranhas
pessoas estranhas
a fim
de ser
afins



[r.m.]


+


imagem
"liú bliú" ["Amo!"]; desenho de Vladímir Maiakóvski

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

vida convida






vida
dividida
dívida

vida com vida
dádiva





.




Escrito durante retiro "Nobre Silêncio" com Banthe Pyiadhammo, na Sociedade Budista do Brasil - SBB


+


imagem
"Kizuna": kanji para "laços", "vínculo", união"

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Em diálogo: Cristiano Marcell


Nunca vi nada
dentro do escuro, mas
vivo assustada


["Menininha", Cristiano Marcell]



~



dentro do escuro
vê-se a si mesmo
em estado puro


[Raul Motta]




.




Em diálogo:
produções poéticas postas face a face
.

+

Cristiano Marcell
http://haicaienaomachuca.blogspot.com/

domingo, 29 de janeiro de 2012

Domingo pede... haicai!

Prezados amigos poetas e leitores do há palavra, um poETa me abduziu.
Isso mesmo: o poeta Cristiano Marcell, responsável pela coluna “Haicais de Domingo”, abrigada na nave-blog “Poetas de Marte”, gentilmente me escolheu entre tantos outros poetas-habitantes deste vasto universo da blogosfera para lhe conceder uma entrevista em que o principal assunto em pauta foi a minha relação com os haicais.
Não é preciso dizer que me senti honrado com a distinção e o quanto foi agradável o passeio...
Visitantes-viajantes estão convidados a pegar carona nesta nave poética acessando o link:


http://poetasdemarte.blogspot.com/2012/01/haicai-fazendo-arte_29.html



+


Para conhecer mais o poeta Cristiano Marcell:
http://haicaienaomachuca.blogspot.com/



+


Imagem:
Ideograma de “hai kai”

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

tao tô lógico

bem aventurados
os que se aventuram
no bem


.


[r.m.]

em diálogo com Nydia Bonetti
http://nydiabonetti.blogspot.com/


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

a ventura [ * ]



o bardo insiste e faz da palavra canto
triste de um tempo que da ventura os horizontes
aventureiros lançam mão
enquanto à vida
oclusa
se recusa a imaginação

é preciso estar atento à morte
não temos tempo de reter a sorte
ansiada
contida

um simples lance de dados aguarda
nossas mãos dadas
oferendas contíguas
mudas
inatas




[R. M.]
+
imagem: O poeta Luís de Camões na prisão de Goa; pintura anônima de 1556

.
[ * ] poema-protesto contra o fechamento anunciado da Livraria Camões, no Rio de Janeiro

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

co[m]um

silêncio consentido
silêncio
com sentido




[r.m.]

sábado, 3 de dezembro de 2011

devir

existo
ex-isto




[r.m.]

revisão[s]

se
todos
são

todos
sãos

se
todos
são
todos

não







[r.m.]