o desejo quer sabor
a fome só quer saber
do comer
a fome
direta
arco e seta
mira
se atira
atinge a meta
o desejo
sinuoso
profundo
vai ao osso
busca
o tutano do mundo
fome é desejo sem lastro
desejo é fome sem nome
mas se a fome é de todo bicho
o desejo é todo do homem
e como soube -
desde sempre - o bicho-homem:
o que é do desejo
a fome não come
[R.M.]
domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
cinquenta
bati de frente
no muro
dei de cara
comigo
achei o que procuro
o muro não é espelho
o mundo não é abrigo
[r.m.]
no muro
dei de cara
comigo
achei o que procuro
o muro não é espelho
o mundo não é abrigo
[r.m.]
quarta-feira, 25 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
"Escritos em Liberdade"
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| Clemente Padín, "Signografias", 1968 |
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| Edgardo A. Vigo, "Sinais nº18" |
Uma ocasião única, verdadeiramente especial: presenciar uma performance do poeta uruguaio Clemente Padín. A ocasião se deu no encerramento da igualmente bem vinda exposição Escritos em Liberdade - poesia experimental espanhola e hispano-americana do século XX, no Instituto Cervantes.
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| Felipe Boso, "Lluvia" |
Clemente Padín, um dos mais importantes criadores da poesia visual, ofereceu ao público uma palestra-performance intitulada Poesia Experimental Autorreflexiva, uma aula informal e dinâmica em que as performances conviviam com explanações teóricas e informações históricas altamente substanciais.
Presentes, a poeta Regina Pouchain, Wlademir Dias-Pino, poeta e teórico, participante da Exposição Nacional de Arte Concreta [São Paulo, 1956] e um dos criadores do movimento poema-processo, a pesquisadora Neide Dias de Sá e Fernanda Nogueira, acadêmica e pesquisadora integrante do grupo Red Conceptualismos del Sur formaram, ao final do evento, uma pequena roda em torno de Padín. E a palavra, sempre ela, se fez troca e conversa.
CO-NEXOS
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| Padín e o poema PATRIA, de Jorge Caraballo |
Ao fim da noite, a convicção de que as possibilidades da palavra, suas vidas possíveis, suas encarnações são infinitas. Ideia expressa na coincidência que uniu nas mesmas coordenadas de tempo-espaço a palavra poética exposta e compartilhada e o protesto dos funcionários do Instituto Cervantes contra a recente reforma trabalhista na Espanha. Manifestações distintas, mas que guardam algo em comum: a necessidade humana, demasiado humana, de se fazer uso e de se re-fazer no uso das palavras.
Em liberdade!
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| "Isto é poesia" |
palavras que lutam
palavras que lutam
são mais que palavras
palavras que lutam
são corpos
sãos
pontes sobre
vãos
palavras que lutam
aqui
agora
presentes
fazem da hora
hora de ação
palavras que lutam
negam o luto
são
grito
e
oração
que sigam sempre
ativas
altivas
vivas
em nós
todas as palavras
que lutam
por nós
[R.M.]
segunda-feira, 26 de março de 2012
ensaios
quinta-feira, 15 de março de 2012
noves fora

o poema nada sabe sobre
não paira acima
não olha de fora
não tem umbigo
o poema nunca nasceu
não tem ego
id
superego
nunca teve nada a ver com isso
ou aquilo
o poema não reza -
ora -
e toda hora é agora
o poema não se debruça à janela
não para pra ver passar a banda
o poema é a banda em silêncio
o publico em silêncio atônito atento ao silêncio da banda
o poema não presta e confessa:
amei a poesia
dormi com o poeta
mas isso foi um dia depois
matei a poesia
escarrei no poeta
o poema sempre foi sem eira nem beira
o poema assume que sonha acordado
que fala sozinho
que é louco varrido
barroco e concreto
o poema não cerca o Lourenço
não leva desaforo pra casa
não foge da luta
sin perder la ternura
o poema é uma pedra no caminho do poeta
o chumbo das asas
o salto
o assalto ao trem pagador
o poema é a pipa
o azul
a linha
o cerol
o cerol na linha
a linha na linha no azul
o corte a perda
o poema é o luto
a lápide
a vida eterna
de corpo presente
o poema não serve pra nada mas -
desde sempre - foi sempre um poema
a preencher de vida
a morte da vida
na gente
a mais

a poesia não sai de mim
não passa
não fica
não me habita
sequer me habilita
a escrever poesia
no poema
não descrevo o que sinto
sou ou faço
se assim fosse
seria fato:
de mim já estaria farto
o poema só existe
quando exige no concreto ato
o esforço
claro
reto
palavra a palavra
e -
depois da luta -
toda palavra exulta -
enfim - bruta
a palavra no poema
de si mesma grávida
nada deseja
que não seja o poema
nada almeja
que não seja ser
no poema
que não existe em mim
que não faz do eu
mundo
que nada revela
apenas vive
e vela
com zelo profundo
pelo que guarda
e faz
de si
no mundo
[R.M.]
+
imagem
Raul Motta
Sem título; xilogravura; s.d.
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imagem
Raul Motta
Sem título; xilogravura; s.d.
domingo, 11 de março de 2012
silêncio sem título
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