segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ata-me




tudo que termina
em nós
segue conosco




[R.M.]
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imagem
Man Ray [1890-1976]; "Presente", 1958

domingo, 4 de setembro de 2011

[ainda o amor]





profundo

leve
me

pro
fundo




[R.M.]
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Lucio Fontana [1899-1968]; Concetto Spaziale, 1960.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

oswaldiando




etérea
matéria




ascese
acesa




sonho
assombro




vida
com vida



.


Talvez sejam quatro, ou possam ser lidos como um único poema, o caso é que os oito versos acima foram livremente inspirados no célebre "amor / humor", de Oswald de Andrade [1890-1954]. Talvez o mais conciso poema escrito em todas as línguas, sempre me atraiu por isto: menor que um haicai e transportando todo um universo numa síntese genial. Do original, mantive o tema, "amor", e o nexo sonoro que dialoga criticamente com o nexo de sentido. Fica aqui a humilde homenagem que, espero, seja digna do mestre antropófago.


[R.M.]
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imagem
Foto capa revista Concinitas n.o 6 [Instituto de Artes da UERJ]

sábado, 20 de agosto de 2011

era uma vez


amanhã o monstro
tempo presente
engolirá tudo
feliz
para sempre

[RM]
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imagem
Richard Serra; One Ton Prop [House of Cards], 1969

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

breve estória de amor menor


início
meio a fim
fim




[ R.M. ]

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imagem

Leonilson; "Voilà mon Coeur" [verso]; c.1989; bordado e cristais s/ feltro; 22 X 30 cm

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ah!

se assim é
que assim seja
amor é
doce peleja


[R.M.]



+
imagem
Raul Motta; "Leque"; fotografia digital; Bocaina de Minas, 2009




sábado, 6 de agosto de 2011

leve me

amor
é meio
aula e recreio





[R.M]
para Chris V.
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imagem
René Magritte; La Bataille de l'Argonne, 1959



outrossim




o outro é
em si mesmo
sim e não
o mesmo outro que eu
não ouve não sente não vê não fala
nada que a mim mesmo não me toque ou escape
o outro não é
refaz-se em mim
desfaz-se em nós
não sendo enfim o mesmo jamais
será sempre um outro
sim
mesmo enquanto eu puder vê-lo
como me vejo a mim
mesmo



[R.M.]
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imagem
Michelangelo Pistoletto: Divisione e Moltiplicazione dello specchio, 1978

domingo, 26 de junho de 2011

com tato



braile

pura poesia

concreta


balé

de

sutil

contato


forma

constelação


dança

contato

que perfura

o véu de maya

da visão


.


[R.M.]

dedicado aos amigos Acauã, Luciano e Alexandra

à beira-mar


Quantas vezes já havia passado pelo monumento a Estácio de Sá, próximo à enseada de Botafogo, sem me tocar de que em seu subsolo existe um espaço cultural...

Pois ontem, quando fazia uma caminhada pela orla, me chamou a atenção um casal que parecia emergir magicamente do chão... Só então pude ver a rampa e a escada que conduzem ao Centro de Visitantes do Monumento Estácio de Sá. Vencidos os degraus de pedra, me surpreendi com a existência de um espaço pequeno, porém aconchegante, que no momento abriga uma exposição coletiva que põe em diálogo trabalhos de fotógrafos e poetas.

Uma pena não ter podido ficar para a performance que seria apresentada pouco depois, ao ar livre, na parte superior do monumento; mas já estou me programando pra retornar num próximo final de semana.

Compartilho aqui com os leitores do há palavra um dos poemas, de autoria do Cairo Trindade, que na exposição dialoga com fotografia de Carolina Pinheiro:


nada mais dura

tudo é pressa pura

tudo se acaba

e se perde:

as pedras, os prédios, impérios

tudo que perdura

são as nuvens

o arco-íris e os vagalumes

das noites de primavera

o mais é literatura




.



O Monumento a Estacio de Sá, incluindo o Centro de Visitantes, é um projeto de autoria do arquiteto Lucio Costa e data de 1973. Desde novembro de 2010, o Centro de Visitantes do Monumento Estácio de Sá é administrado por meio de uma parceria entre a Prefeitura carioca, via RIOTUR, e a Universidade Estácio de Sá.