quinta-feira, 21 de outubro de 2010

macunaímaführer




nosso líder só deseja o bem
ele nos ama como a si mesmo
e odeia os inimigos que nomeou para nós
diariamente com ele aprendemos
porque e como
devemos odiar o inimigo também
ele é muito bom
trata a todos que estamos a seu lado como filhos pródigos
pois se um dia e por muito tempo o desprezamos
agora
pela sua infinita paciência e bondade
enxergamos todas as suas virtudes
e compreendemos que suas qualidades nos convêm
ele é puro
ele é transparente
ele fala como nós
ele sim é um homem de verdade
ele é sangue e carne
como não pudemos perceber isso antes?
cresce a cada dia o nosso amor
e nosso vínculo mais e mais se fortalece
pois ele nos ofereceu seus horizontes
e depositou em nós sua esperança
e assim podemos caminhar despreocupados
livres de todo pensamento inútil
pois agora entendemos tudo
quem somos
de onde viemos
para onde vamos
nós somos a razão de seu projeto
e seu projeto é maior que todos nós
como somos venturosos sendo agora o que ele nos tornou!
não mais a dúvida
não mais a indecisão
não mais a solidão
pois agora somos o caminho e o destino
e ele caminha ao nosso lado
e avança à nossa frente
onisciente
onipresente
ele nos conduz e vela por nós
tão simples e tão grande
tão humilde e forte
tão amável e amado
só ele nos faz ver
como somos iguais
a ele



.



[R.M.]

+ imagem:
Joseph Kosuth [1945]; One and three chairs; 1965

6 comentários:

betina moraes disse...

raul,
professor-amigo,

desde o título até o corpo do poema, nossa capacidade de associação nos leva direto a ele, o nosso macunaímalalá, tomado por nossos sentidos como ópio, exatamente como foi o fürher aos alemães devastados e desesperados do pós guerra.

embora tenha acontecido a comparação entre nosso herói e o herói de ocasião da alemanha, você conseguiu deixar preservada a pureza e a inocência do nosso macunaíma.

um poema singular,

ao meu ver, um metáfora perfeita!

precisei pegar até mais uma caneca de café para reler.

seu talento é excepcional!

um beijo.

há palavra disse...

Betinamiga,
foi muito duro pra mim "parir" este poema, encontrar uma "voz" que reunisse esferas muito distintas do pensamento, sentimento... Ele é quase um vômito provocado, ou talvez dizendo melhor: como uma decantação e depois uma ação de esponja que vai deixando sair...
Agradeço tua presença e tuas palavras, sua força no dizer o que sabe e sente.
Bons caminhos, sempre!

Betina Moraes disse...

ficou muito bom, raul, muito bom!

percebe-se a entrega.


bons caminhos para você também, amigo.

Rodrigo disse...

Olá, Raul.

Vim agradecer pelo comentário lá no Divagações, justo hoje, depois que a loucura coletiva que me nos causou tanta angústia se concluiu. E agora vejo o seu "Führer" tupiniquim (com direito a um h deslocado, bem ao estilo do Líder e seus imitadores). É uma peça e tanto! Merecia, aliás, publicação offline -- pois exprime o que vai pelo coração de muitos.

Mas, enfim, é bom "revê-lo", meu caro. Espero que as coisas estejam bem na luta pelo futuro que os professores conduzem a cada novo dia de trabalho.

Um abraço,
R.

há palavra disse...

Rodrigo!
Bom revê-lo por aqui também!
Pois é, a tal da "loucura coletiva"... Desde 1999, quando deixei o PT por conta da imposição da aliança com o Garotinho aqui no Rio e passei a anular o voto, tenho aprendido a "sobreviver" às campanhas eleitorais sem abalar nenhuma amizade querida.
Enfim, é por isso que admiro o equilíbrio que sustenta tuas postagens quando o assunto é política e/ou eleição, arte difícil quando se trata de um assunto que tende a galvanizar paixões e interesses de toda ordem...
Grato pelos comentários e - antes que eu me esqueça: grato também por me corrigir a grafia do título do poema, não era intencional, foi um erro mesmo...
Abraços,
bons caminhos!

Marcio Nicolau disse...

"nunca antes na História desse país..." foi assim.