domingo, 29 de abril de 2012

bicho-homem

o desejo quer sabor
a fome só quer saber
do comer

a fome
direta
arco e seta
mira
se atira
atinge a meta

o desejo
sinuoso
profundo
vai ao osso
busca
o tutano do mundo

fome é desejo sem lastro
desejo é fome sem nome
mas se a fome é de todo bicho
o desejo é todo do homem

e como soube -
desde sempre - o bicho-homem:

o que é do desejo
a fome não come



[R.M.]

6 comentários:

sandra camurça disse...

adorei, Raul!
certa vez escrevi um poeminha assim:

comeu tudo o que restou do gozo
amor profundo
vai até o osso
:)

Raul Motta disse...

Sandra,

somos mesmo vira-latas - metafóricos... rs...

Abraços, bons caminhos pra ti!

VILMA PIVA disse...

Olá amigo, passando e lendo tua poesia que buscou a profundeza do sentir do bicho homem! Parabéns! Beijos!

Raul Motta disse...

Vilma,

grato pela presença e comentário!

Abraços e bons caminhos pra ti...

Sílvia Nascimento disse...

adorei... nossas fomes sempre renovadas pela palavra: desejo!

Raul Motta disse...

Grato, Silvia!

É isso: desejar é retornar à fonte...

Abraços, bons caminhos pra ti!