sábado, 20 de agosto de 2011

era uma vez


amanhã o monstro
tempo presente
engolirá tudo
feliz
para sempre

[RM]
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imagem
Richard Serra; One Ton Prop [House of Cards], 1969

4 comentários:

Marcantonio disse...

Lendo o poema e vendo a peça de Serra, não pude deixar de imaginar uma caixa de Pandora com fluxo reverso, contração de universo, o filme passando para trás até o nada beatífico.

Um poema e tanto esse! Enganosamente simples...

Abraço.

Raul Motta disse...

Marcantonio,

bela e potente a imagem-movimento de um “fluxo reverso” que tudo engole ao invés de expelir. Teu sentir imaginou um caminho que ampliou – e muito! - o sentido do poema, pensado por mim como uma reflexão sobre a velocidade cada vez maior, vertiginosa, do “tempo presente” nos tempos presentes. Neste contexto, a escultura do Serra dialoga com o poema enfatizando uma certa idéia de instabilidade, precariedade e vazio.

Mas toda a obra do Serra é genial na sua força de dizer muito do e para o humano usando de materiais e escala tão aparentemente “desumanos” - e o mito talvez seja a narrativa que melhor significa e humaniza as experiências que nós, humanos, só podemos experenciar na imaginação e concretizar na arte.

Abraços, bons caminhos pra ti!

Denilson disse...

Raul, fiquei encanto com os poemas aqui postados!
Parabéns pelo blog e criatividade!

O tempo, sempre devorando...Cronos que engole seus filhos!

Grande Abraço!
http://divaedevaneios.blogspot.com/

Raul Motta disse...

Denilson,

grato pela presença e comentário, oportuna a lembrança de Cronos.

Curioso que a mitologia grega também possuía uma outra entidade para o tempo: Kairós, “o momento certo” ou “oportuno”, um tempo mais existencial, talvez mais libertador... Temos muito a aprender com os tempos e suas variadas faces...

Abraços, bons caminhos...