quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

à Hans Arp




o acaso me trouxe até aqui
digo:
presente! aqui estou!
eu que nada sabia sobre o mundo até abrir o primeiro sorriso
desde então este mundo e eu nos queremos
como dois amantes que já se tornaram velhos conhecidos
seguindo de mãos dadas
o desejo ainda intenso de vida pela frente
tanto ainda por fazer!
quem vive pelos sentidos percebe o sentido do que vive em todas [as coisas
as mãos sempre prontas à ação
hábeis ou inábeis, não importa!
a arte não é nada?
minha resposta é o fazer e o refazer
o trabalho é minha música
seja audível ou inaudível
todo som tem sua frequência
e cedo ou tarde por alguém é captado
no ar fresco que sopra lá fora tudo existe e se completa
em tudo que respiro
sinto a presença:
arte-nada
a regra que me rege
meu não
um grande sim
ao mundo que é o mundo









[R.M.]

+

Hans Arp [1886-1966] em fotografia de 1922
"Duas cabeças" [1927]; óleo e barbante s/ tela; 35 x 27 cm

8 comentários:

Leonardo B. disse...

[o quão vulnerável a palavra se apresenta, mas como num acto mágico, ganha na mão a força das correntes, a força das marés do mundo]

um imenso abraço,

Leonardo B.

há palavra disse...

Leonardo,

sustentamos a palavra e a palavra nos sustenta... E assim seguimos nessa [humana] vulnerabilidade!

Grato pela presença e força das palavras!

Marcantonio disse...

Um belo poema para um artista de muitas facetas. Um credo na postura abertamente criativa diante da vida, aliás, diante não, imersa na própria vida.

Abraço.

há palavra disse...

Marcantonio,

comentário mais que perfeito - vindo de quem é poeta e artista plástico, não surpreende... mas encanta!

Grato pela presença e pela beleza precisa das palavras,

abraço e bons caminhos.

Controvento-desinventora disse...

Trabalho, arte, sentidos. Sem eles não há sentido.O amor? é a alma de tudo isso!bj

há palavra disse...

Cláudiamiga,

"organizar é destruir" - já tava escrito no Tao Te King. Teria sido Lao Tsé um proto-dadaísta?

Abraços!

Marcio Nicolau disse...

"audível ou inaudível"

Raul:

o fato e que eu escuto.

há palavra disse...

Márcio:

E, às vezes, o inaudível grita por nós...

Abraços, grato pela presença e comentários!