quinta-feira, 8 de março de 2012

leito

a pedra
pesa
afunda
na água

no fundo
a pedra
encerra em si
denso poema concreto
matéria e memória
tempo
história

a pedra
no fundo funda
um chão
um grão de silêncio
no mundo

a água
faz do desvio via
flui
baila leve
em vai e vem
envolve o corpo da pedra
e segue
e volta
leva
lambe
lava
pole a pele da pedra

o peso
da pedra
é lastro
a pele - polida -
alabastro

água e pedra
celebram rito ancestral
não deixam de ser -
quem duvida? -
no encontro mais profundo em cada qual
harmonioso casal






[R.M.]
para Christiane Valente

6 comentários:

Fred Caju disse...

“Seja grão de areia, seja pedra. Ambos afundam na água”

Cristiano Marcell disse...

Bonito demais!

BAR DO BARDO disse...

desbasta-se a pedra - satisfeita

Raul Motta disse...

Fred,

bem notado: peso e massa...

Massa!

Raul Motta disse...

Cristiano,

grato - a beleza também está nos olhos de quem lê!

Abs.!

Raul Motta disse...

Bardo,

a pedra, yang, se faz de yin e se oferece à água, yin, que se faz de yang que se oferece à pedra, que...

... amor sem fim, sobrevive até mesmo ao desbaste/desgaste final:

a pedra - areia -
o rio - no mar -
ao sabor das marés
a se beijar

Abraços, grato pela presença e comentário!