quinta-feira, 15 de março de 2012

a mais




a poesia não sai de mim
não passa
não fica
não me habita
sequer me habilita
a escrever poesia

no poema
não descrevo o que sinto
sou ou faço
se assim fosse
seria fato:
de mim já estaria farto

o poema só existe
quando exige no concreto ato
o esforço
claro
reto
palavra a palavra
e -
depois da luta -
toda palavra exulta -
enfim - bruta

a palavra no poema
de si mesma grávida
nada deseja
que não seja o poema
nada almeja
que não seja ser
no poema
que não existe em mim
que não faz do eu
mundo
que nada revela
apenas vive
e vela
com zelo profundo
pelo que guarda
e faz
de si

no mundo





[R.M.]

+

imagem
Raul Motta
Sem título; xilogravura; s.d.

6 comentários:

Alice disse...

Ando achando que a palavra me fugiu, a poesia e tudo... mas esse teu escrito trouxe a esperança de que elas voltarão.

Beijos.

Cynthia Lopes disse...

palavra
verso
poema
poesia
tudo
ligado
e muito
junto!
bjs

Raul Motta disse...

Alice,

quando voltarem, as palavras vão trazer muitas outras, novas amigas, que vão brincar de roda e cantigas com as antigas...

Abraços, grato pela presença!

Raul Motta disse...

Cynthia,

teu comentário
verso a verso
é régua e compasso
é puro poema

abraço!

Macabea de La Mancha disse...

É mesmo assim
Uma visita
Que quando vem
Toma conta
Da casa toda
E, para nossa felicidade,
Quando vai
Deixa rastros de saudade.

Gostei dos teus escritos e do teu espeço também! Seguindo!

Abraço

Camila Paula

Raul Motta disse...

Camila,

grato pela visita e pelo comentário mais que poético!

Sigamos nos co-respondendo!

Abraços, tudibom nos caminhos pra ti...