segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D[ele]



o poeta é todo ouvidos à palavra
todo sentidos
ao corpo da palavra
o poeta não pressente nada
momento a momento apenas
o poeta é atento
à palavra de dentro
do homem dentro da palavra
o poeta cheira
lambe
o som do sabor
da palavra que fala da fala do homem
de todas as palavras
de todos os homens
que só a humanidade do poeta ouve


[R.M.]



[ * ]

Para Carlos Drummond de Andrade, no seu Dia D


.

[lamentando não poder dar o devido e merecido crédito à foto, que inspirou o poema, indico a fonte:
http://dudabrama.wordpress.com/2010/03/22/drummond-drummond-drummond-carlos/drummond-conversando/]

6 comentários:

Cristiano Marcell disse...

Inerte na calçada do Rio, entretanto vivíssimo no coração de quem aprecia a beleza de seus versos.

Entre um verso e outro de Drummmond, há um romance.

Salve Drummond, o guauche nesta vida.

P.S:Quanto à última linha, o crédito pertence inteiramente à um anjo torto.

Raul Motta disse...

Cristiano,

é isso: imortalizado em bronze, o poeta segue vivo em palavras e ouvidos...

Abraços, grato pela presença!

BAR DO BARDO disse...

boa homenagem

:)

Raul Motta disse...

Grato, Bardo!

E a partir deste 31 de outubro, um outro "Dia D" se soma ao do grande Torquato Neto: que todo dia seja "dia D... poesia"!!!

Abraços, bons caminhos...

Clarice Villac disse...

Nesta nossa vida desencontrada,
a Poesia proporciona o espaço do encontro...

Raul Motta disse...

Clariceamiga,

enquanto for a poesia que estiver proporcionando os encontros, estaremos - ainda que temporariamente - a salvo e salvos!!!

Abraços, grato pela presença e leitura atenta!